Quando eu era criança, tinha a maior crença em mundos mágicos.
Na casa do meu avô, a cama dele era encostada em um armário, que, desse modo, ficava impossibilitado de abrir. Eu tinha certeza de que, quando conseguisse abrir, eu não encontraria roupas ou um fundo marrom de armário, mas um mundo de duendezinhos, com um castelo cor-de-rosa e o céu na altura dos meus olhos.
Eu corria pela casa, ou por qualquer outro lugar, me imaginando em mil mundos. Às vezes eu era a capitã de um navio pirata, às vezes eu me tranformava em pássaro na frente de todas as pessoas na missa. Enfrentava monstros com as minhas amigas na escola, e me apaixonava pelo kinder ovo (sim! é constrangedor, mas eu não ligo) à beira do lago do mundo do kinder ovo.
Eu tinha um mundo imaginário com a minha amiga, o mundo feliz, onde tudo tinha cores fortes, e as almofadas voavam em fila, para qualquer um deitar nelas e se deixar levar.
Dormia na casa da minha avó, esperando que o Peter Pan batesse na janela e viesse me buscar.
Brincava que eu era uma duende, filha do Papai Noel, que ajudava na linha de montagem. Me imaginava uma leoazinha, filha da Kiara, e ainda por cima gêmea de outra (e por isso tinha algum problema na sucessão, mas eu já não lembro quem era a gêmea mais velha ;P).
Num brinquedo elaborado de parquinho (ainda era parquinho, não playgroud), imaginava estar em uma nave espacial com a importantíssima missão de levar guaraná pra Lua. E sabe o que a gente fazia quando chegava na Lua? Descarregava as caixas de guaraná, dava uma exploradinha e ia embora. Simples assim... a missão não incluía encontrar nenhum lunático.
Deitada em uma espreguiçadeira à beira da piscina, imaginei ir até acima das nuvens, onde havia um mundo de nuvem, e eu era tratada como princesa.
Um pouco mais tarde, pegava o meu patinete e corria rápido pelo corredor do quintal da minha casa: era a única maneira de chegar ao meu mundo imaginário, cujo nome agora me escapa (vamos chamá-lo de "mundo imaginário", até eu lembrar), mas em qual eu tinha um mapa detalhado na cabeça (acho que cheguei a desenhar uma vez). Nesse mundo, tinha várias raças de habitantes: tinha uma raça que parecia bastante com o que são os elfos domésticos na minha imaginação, e eu tinha dois amigos gêmeos dessa raça: a Mindy e o ... Já não lembro. Tinha também um amigo que vinha de uma região mais fria, portanto, nada mais óbvio do que ele ser um urso polar, certo?
E nesse mundo cada um tinha a sua casa, e tinha comida boa e festivais (num dos quais eu dancei o que era a dança típica do festival). E como me dava uma sensação boa entrar nesse mundo! Até agora, lembrando dele, eu consigo recordar a sensação.
Só que, claro, um dia tudo acaba.
"Eu não quero mais ir ao mundo imaginário" disse a mim mesma.
E nunca mais fui.
E continuei imaginando, ah, sim.
O tempo todo.
Só que imagino a realidade.
Me imagino conversando com meus amigos. Brigando com alquém com quem eu esteja brava. Conhecendo alguém em algum lugar.
Me imagino na faculdade. No intercâmbio. Num emprego.
Tudo bem legal, lalala, mas tudo muito real.
Me dei conta disso ontem.
E sabe o quê?
Eu quero perder algumas características de criança, mas essa definitivamente não é uma delas.
Confusão Interior
Há 15 anos

2 comentários:
"Eu quero perder algumas características de criança"
Eu gostei da palavra "algumas". Nunca se torne cem por cento adulta, não parece divertido.
Enfim, imaginação é uma das coisas mais legais. O seu mundo mágico me lembra uma mistura de Nárnia com Terabítia. E, por mais adulta que você queira ser, nunca deixe de imaginar - e de rir muito!
P.S.: Você era ajudante do Papai Noel? Eu era ajudante da cegonha. Colocava fraldas de pano nos meus bichinhos de pelúcia e separava-os para que fossem entregues às suas mamães. ^^
Amai!!!
Eu sempre quero ser ou no minimo ter algumas lembranças da qnd era criança!!!
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Bjs
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